PT839141E - Processo de extraccao e isolamento da 10-desacetilbaccatina iii - Google Patents
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Description
DESCRIÇÃO
PROCESSO DE EXTRACÇÃO E ISOLAMENTO DA 10-DESACETILBACCATINAIII A presente invenção está relacionada com um processo de extracção e isolamento da 10-desacetilbaccatina III - composto útil como intermediário na hemi-sintese do taxol ou dos seus derivados que apresentam um interesse oncológico.
Os taxanos, entre os quais o taxol, são agentes anticancerosos com propriedades particularmente interessantes.
Contudo, os taxanos naturais anticancerosos estão principalmente presentes numa concentração fraca nas cascas de teixo - plantas conhecidas pela finura da sua casca e pelo seu crescimento muito lento.
Para assegurar uma exploração rentável dos taxanos anticancerosos sem prejudicar a fonte vegetal das matérias-primas, rapidamente se considerou a obtenção destes produtos por hemi-síntese a partir da 10-desacetilbaccatina III ou tetraol.
De facto, este último encontra-se numa quantidade mais importante nas folhas de teixo, como mostraram Sénilh et al. em 1981 (C. R. Acad. Sc. Paris, 1981, 293 (2), 501-503), assegurando uma fonte renovável de matéria-prima na preparação do medicamento. O tetraol foi descrito pela primeira vez como o produto resultante da metanólise alcalina do taxol por M. C. WANI, em 1971, quando o taxol foi posto em evidência. A obtenção deste produto com um rendimento elevado toma-se então num dos aspectos essenciais do problema da exploração rentável dos taxanos de interesse oncológico como o taxol e o taxotere.
Ora, se o princípio geral de extracção dos taxanos a partir das folhas de teixo é conhecido, poucos processos estão especificamente relacionados com o tetraol.
Na verdade, o objectivo da quase totalidade dos processos é obter o taxol - produto de alto valor acrescentado -, enquanto o tetraol é sempre considerado um subproduto da extracção. 1
Trata-se, em geral, de extrair a planta com um álcool e depois adoptar as condições de purificação específicas para a obtenção do taxol.
No entanto, os pedidos de patente EP-A-0 253 738 e EP-A-0 253 739 mencionam um processo de extracção do tetraol, que consiste em recuperar um extracto etanólico das folhas de teixo com água, filtrá-lo em Celite, extrair o filtrado com cloreto de metileno antes de o extrair com água e, em seguida, separar as diferentes fracções. O tetraol é obtido sob a forma purificada, após duas cromatografias sucessivas em coluna de sílica.
Este processo utilizado nos dois pedidos de patente citados acima é pois muito longo e complexo.
As folhas não secas são extraídas com etanol a 95° (cinco macerações de dez horas cada uma). Os extractos alcoólicos são reunidos e concentrados para eliminar o etanol residual. A suspensão aquosa é recuperada em cloreto de metileno (nove extracções). O extracto diclorometilénico é concentrado e depois submetido a uma cromatografia em coluna de sílica. A fracção rica em tetraol é de novo submetida a uma cromatografia em coluna de sílica. O rendimento da extracção não é mencionado, e supõe-se que o título do produto final seja 100%. O pedido de patente WO-A-92/07842 descreve um processo no qual intervém uma preparação por cromatografia de fase reversa. O extracto bruto de cascas ou de folhas de Taxus é tratado por cromatografia de fase reversa, o que permite adsorver os taxanos que serão eluídos selectivamente. As fases reversas citadas são a sílica C8, a sílica CN e a sílica Cib- O pedido de patente WO-A-92/18492 descreve um processo geral de extracção e purificação dos taxanos, particularmente por adsorção/eluição e por extracção líquido/líquido. A planta é extraída com um solvente orgânico (etanol, acetona, acetato de etilo). A fase orgânica é recuperada em diclorometano ou acetato de etilo, e as fracções hidrófilas são extraídas com água. A fase orgânica é recuperada numa mistura de acetato de etilo/metanol (3/1) para adsorver o extracto em Celite. A Celite eluída com diclorometano conduz a um extracto de taxanos. 2
Uma variante consiste em substituir a purificação em Ceiite por uma extracção líquido/líquido com hexano e uma mistura de metanol/água (9/1).
Em todos os casos, estes métodos conduzem apenas a uma mistura em bruto de taxanos, que serão em seguida purificados através de técnicas cromatográficas tradicionais.
No pedido EP-A-0 521 675, é descrita uma preparação da 10-desacetilbaccatina III por C02 supercrítico. Contudo, o processo é proposto mais especialmente para a extracção do taxol.
Dois processos específicos de extracção do tetraol, descritos nos pedidos de patente WO-A-94/07881 e WO-A-94/07882, tendem no sentido de uma simplificação da sua execução, através de uma purificação essencialmente líquido/líquido. Trata-se de efectuar uma primeira extracção das folhas com água ou um álcool - neste caso com a adição de água à fase alcoólica obtida - depois concentrar a fase aquosa e extraí-la com um solvente orgânico como sejam os éteres ou ésteres alifáticos. Após evaporação do solvente, o resíduo sólido enriquecido em tetraol é purificado por cristalização selectiva num solvente apropriado, em particular o acetonitrílo.
Um processo assim, ainda que simplificado, compreende não obstante um grande número de etapas indispensáveis, dispendiosas em termos de solvente e de rendimento, que se podem resumir da seguinte forma: - primeira etapa de extracção das folhas de teixo com água ou um álcool para obter uma fase aquosa contendo o tetraol, sendo a referida fase aquosa um extracto inicial resultante directamente da primeira etapa de extracção com água ou sendo obtida depois da adição de água após a extracção com o álcool, - segunda etapa de extracção da referida fase aquosa com um solvente orgânico apropriado, essencialmente não miscível com água, de forma a obter uma fase orgânica rica em tetraol, - terceira etapa de evaporação do solvente orgânico para obter um resíduo sólido enriquecido em tetraol e depois 3 - última etapa de isolamento e purificação do tetraol a partir do resíduo sólido por cristalização selectiva num solvente de cristalização. A WO-A-95/17395 descreve também um processo de extracção do tetraol a partir de folhas de teixo, que consiste numa primeira extracção das folhas de teixo com um solvente polar prótico, depois numa segunda extracção da fase aquosa assim obtida com um solvente orgânico apropriado, essencialmente não miscível com água, e, em seguida, numa etapa de isolamento do tetraol a partir da fase orgânica anteriormente obtida. Todavia, a realização deste processo necessita de uma “preparação a seco” do extracto enriquecido em tetraol mesmo antes da etapa de cristalização. É pois importante procurar simplificar ainda os processos de extracção do tetraol de forma a facilitar a sua exploração industrial, permitindo diminuir a utilização de solventes orgânicos e o seu tratamento posterior, mas conservando bons rendimentos de obtenção de um extracto com alto teor em tetraol. A presente invenção está então relacionada com um processo melhorado e simplificado de extracção e isolamento do tetraol a partir de folhas de teixo.
As plantas úteis para o processo de acordo com a invenção são de preferência as espécies do género Taxus (teixo). Alguns botânicos diferenciam o género Taxus em várias espécies: T. baccata. T. brevifolia. T. wallichiana. T. chinensis. T, cuspidata. T. canadensis. T. floridana. T, qlobosa, T. media. T. hunnewelliana.... enquanto outros autores consideram todas estas espécies como subespécies geográficas de uma espécie colectiva: T. baccata. O processo aplica-se assim à espécie colectiva T. baccata em sentido amplo, assim como aos cultivares correspondentes.
Sendo o processo de acordo com a invenção específico para a extracção e isolamento do tetraol, é em relação a este produto que serão determinadas as condições específicas da sua execução.
Devido a este facto, ainda que específico para a extracção e a purificação do tetraol a partir das folhas de teixo, o processo de acordo com a invenção poderá adaptar-se muito bem a qualquer meio rico em taxanos e, muito particularmente, em taxanos com uma polaridade próxima da do tetraol, independentemente da sua origem, natural ou não, 4 vegetal ou não, como sejam as culturas celulares de cascas ou de folhas de teixo, as culturas de cogumelos ou as suas culturas celulares ou ainda misturas de taxanos, resíduos da extracção do taxol.
As manipulações descritas nos exemplos foram realizadas em folhas secas cujo teor em tetraol era aproximadamente de 900 mg/Kg. Claro que a invenção se aplica igualmente a TaxnR pobres em tetraol (300 mg/Kg) e, com maior motivo, a Taxus mais ricos (1 000 mg/Kg e superior). O processo de acordo com a invenção é caracterizado por consistir na realização das seguintes etapas: - primeira etapa de extracção das folhas de teixo com um solvente polar prótico, que consiste numa mistura de acetona/água, para obter uma fase aquosa concentrada contendo o tetraol, - segunda etapa de extracção do tetraol da referida fase aquosa com acetonitrilo, - terceira etapa de separação da água residual da fase de acetonitrilo por adição de um solvente clorado, - última etapa de isolamento do tetraol por evaporação parcial da fase orgânica, cristalização selectiva e filtração. A simplificação do processo de acordo com a invenção manifesta-se imediatamente, uma vez que se suprime uma etapa intermediária de extracção da fase aquosa com um solvente orgânico apropriado, essencialmente não miscível com água, seguida da evaporação do referido solvente para obter um resíduo sólido rico em tetraol. O extracto inicial compreende geralmente o tetraol misturado com taxanos de polaridade próxima, extraídos com um mesmo solvente polar prótico. O objectivo da segunda e da última etapa consiste assim, através de um solvente orgânico apropriado, em extrair e isolar directamente o tetraol desta mistura por cristalização selectiva. 5
De uma forma vantajosa, as folhas de teixo são secas e/ou trituradas. A primeira etapa de extracção é de preferência efectuada por maceração no solvente polar prótico, durante um período compreendido entre 15 minutos e 6 horas, de preferência 1 hora. O extracto inicial contendo o tetraol é, em seguida, recuperado, especialmente por filtração. O perito saberá adaptar o tempo de maceração em função do número de operações de extracção das folhas escolhido. Desta forma, ele poderá efectuar várias macerações de 15 minutos com pequenas quantidades de solvente ou, pelo contrário, efectuar uma operação equivalente numa única etapa, somando os tempos de maceração e os volumes de solvente utilizados na extracção múltipla. O número de macerações será obviamente escolhido com o objectivo de esgotar as folhas de teixo do seu teor em tetraol presente.
No caso de várias macerações, os extractos de cada maceração são reagrupados para originar o extracto inicial contendo o tetraol. A primeira etapa de extracção poderá também ser conduzida de uma forma vantajosa por maceração no solvente polar prótico, sob irradiação de microondas ou de ultra-sons, durante um período compreendido entre 2 e 15 minutos.
As folhas de teixo são extraídas a uma temperatura compreendida entre 10°C e a temperatura de ebulição do solvente polar prótico, sendo a temperatura preferida a temperatura ambiente, que se define no presente pedido de patente como a temperatura do laboratório, compreendida entre cerca de 15°C e 25°C. Claro que se entende que, em função das variações sazonais de temperatura, esta temperatura ambiente poderá ser inferior ou superior ao intervalo proposto. De facto, define-se mais simplesmente a temperatura ambiente como a temperatura do local onde será conduzido o processo, sem que seja indispensável fornecer uma energia adicional ao meio das extracções para obter rendimentos satisfatórios. Θ
De uma forma vantajosa, o solvente polar prático que consiste numa mistura de acetona/água é utilizado numa razão volúmica até 80/20, vantajosamente próxima de 70/30. A fase aquosa que contém o tetraol é assim obtida por evaporação da cetona. Esta evaporação realiza-se vantajosamente com uma concentração simultânea da fase aquosa. Esta etapa de concentração pode tornar-se necessária por razões práticas independentemente do solvente de partida - água, água/álcool e/ou acetona -, quando a fase aquosa atinge volumes de várias centenas de litros. Poderá reduzir-se vantajosamente o volume da fase aquosa numa razão que pode ir até 70 (volume inicial/volume final = 70). O solvente orgânico apropriado que permite a extracção do tetraol é, como indicado acima, o acetonitrilo. A segunda etapa poderá obviamente ser repetida várias vezes até ao esgotamento da fase aquosa em tetraol, sendo as diferentes fracções orgânicas então reunidas para a última etapa de isolamento do tetraol por evaporação parcial da fase orgânica, cristalização selectiva e filtração.
Contudo, antes desta última etapa, esta cristalização selectiva é precedida de uma etapa de secagem da fase orgânica e/ou de separação da água residual de acordo com os métodos habituais conhecidos do perito. A separação da água residual pode ser efectuada quer aumentando a polaridade da fase aquosa por adição de sal, em particular um halogeneto de metal alcalino, de preferência o cloreto de sódio, quer aumentando o carácter hidrófobo da fase orgânica por adição de uma quantidade apropriada de solvente de separação apoiar, isto é, de polaridade inferior à do solvente de cristalização selectiva.
Neste segundo caso, seleccionar-se-á de preferência um solvente cuja temperatura de ebulição é inferior à do solvente de cristalização selectiva, de maneira a eliminar o solvente de separação por evaporação, antes de efectuar a cristalização selectiva do tetraol. Esta eliminação do solvente de separação poderá, por outro lado, ser acompanhada de uma evaporação parcial do solvente de cristalização selectiva. De uma forma vantajosa, o solvente de separação é um solvente halogenado, de preferência o cloreto de metileno. No quadro da presente invenção, o processo compreende uma 7 terceira etapa de separação da água residual da fase de acetonitrilo por adição de um solvente clorado. A fase aquosa residual separada poderá ser de novo extraída com um solvente de cristalização selectiva definido mais acima, de forma a recuperar o tetraol residual que terá permanecido em solução na água.
Em seguida, para a última etapa do processo de acordo com a invenção, a solução de tetraol no solvente de cristalização selectiva, em particular em acetonitrilo, é deixada em repouso a frio, de preferência a uma temperatura compreendida entre 0°C e a temperatura ambiente, vantajosamente inferior a 10°C, ainda mais vantajosamente compreendida entre 0°C e 5°C, para deixar precipitar o tetraol, permanecendo as impurezas no sobrenadante. O sólido precipitado será então recuperado pelas técnicas habituais do perito, especialmente por filtração e secagem. A secagem da fase orgânica pode efectuar-se quer pela adição de sal, como por exemplo o sulfato de sódio, quer ainda por arrastamento azeotrópico da água residual, o que permite reduzir também o volume de solvente de cristalização selectiva antes de efectuar esta cristalização. A secagem da fase orgânica e/ou a separação da água residual poderão ser vantajosamente precedidas de uma lavagem da fase orgânica com água, de preferência com um volume equivalente de água numa ou em várias vezes.
De uma forma geral, para facilitar a manipulação das fases orgânicas, procurar-se-á limitar o volume do solvente de cristalização selectiva, com ou sem secagem e/ou separação, podendo esta diminuição de volume ir até uma razão volume inicial / volume final de 8.
Por volume inicial, entende-se o volume total das fracções orgânicas reunidas após a extracção da fase aquosa com o solvente de cristalização selectiva. 8
Por volume final, entende-se o volume de solvente de cristalização selectiva no qual será efectuada a cristalização selectiva do tetraol, isto é, após uma eventual lavagem e/ou separação e/ou secagem e/ou concentração desta fase orgânica.
Após esta cristalização selectiva, a pureza do tetraol isolado é geralmente superior a 90%, e o rendimento da extracção relativamente à quantidade de tetraol inicialmente presente na planta é superior a 70% em peso. O tetraol assim obtido poderá ser purificado uma outra vez por recristalização num solvente apropriado, de preferência no solvente de cristalização selectiva definido acima ou ainda num solvente de recristalização seleccionado particularmente entre as seguintes misturas (em volume) de solventes: - cloreto de metileno/hexano: 1/1 a 1/3 - cloreto de metileno/acetonitrilo: 1/1 a 1/5 - cloreto de metileno/hexano/metanol: 1/1/0,1 - acetona/hexano: 1/1 a 1/4. O tetraol cristalizado pode ser simplesmente purificado por lavagem com água, após recuperação num solvente orgânico apropriado como o acetato de etilo. Poderá efectuar-se uma primeira lavagem com uma solução alcalina, por exemplo de carbonato de cálcio, e depois uma nova lavagem com água até pH neutro. Após evaporação do solvente orgânico, o tetraol é geralmente obtido com uma pureza muito elevada, superior a 96%.
Outras impurezas coradas poderão também ser eliminadas através de uma enxaguadela do tetraol obtido com água.
Finalmente, o tetraol não cristalizado que permaneceu nas águas-mãe da cristalização selectiva poderá ser igualmente cristalizado através da recuperação da fase orgânica residual, sobrenadante do cristalizado, na qual se efectua uma sucessão de operações de lavagem com um volume igual de água, seguidas da separação da água residual por adição de um solvente de separação apoiar definido mais acima e da eliminação do referido solvente. 9
Os exemplos a seguir permitem ilustrar diferentes condições de realização do processo de acordo com a invenção.
Por folhas “secas finamente trituradas”, entendemos as extremidades folhadas secas à temperatura ambiente ou a uma temperatura que não ultrapassa os 70°C, com uma granulometria compreendida entre 2 mm e 0,5 mm para os fragmentos lenhosos (menos de 15% peso/peso total) e entre 2 mm e 100 pm para os fragmentos de folhas. A dosagem das folhas é efectuada da seguinte forma: o pó de folhas (amostra de 50 g recolhida de acordo com as técnicas clássicas de amostragem) é extraído por duas vezes com 500 ml de metanol à temperatura ambiente. O extracto obtido é doseado em tetraol por HPLC, em relação a uma escala de aferição construída com uma amostra autêntica. A dosagem é expressa em mg de tetraol por Kg de folhas secas.
Os exemplos apresentados foram realizados com uma matéria-prima cujo teor em tetraol (em peso), expresso em relação à folha seca, é de cerca de 900 mg/Kg. A análise por HPLC é efectuada em material WATERS-MILLIPORE (referência Millenium), em condições isocráticas (H20/CH3CN: 75/25, 1 ml/min), numa coluna Lichrospher 100 MERCK (5 pm). A quantidade injectada é de 20 μΙ e a integração é realizada a 230 nm.
As condições das análises por HPLC são idênticas para a dosagem das folhas e para a avaliação da pureza do tetraol isolado aquando das manipulações. A amostra de referência, assim como o tetraol extraído no decorrer das diferentes manipulações apresentadas mostraram as mesmas características espectrais que as mencionadas na literatura (1H RMN, 13C RMN, UV, IV, ponto de fusão...). EXEMPLO 1: Extracção acetona/água, cristalização acetonitrilo (1a variante) (não faz parte da invenção tal como reivindicada). 30 Kg de folhas secas de Taxus baccata (titulo em tetraol = 900 mg/Kg) são finamente triturados e depois extraídos com 300 litros de uma mistura de acetona/água (70/30) num reactor inox de 600 litros, durante 1 hora à temperatura ambiente, sob agitação. Após 10 decantação, o resíduo isolado é submetido a uma segunda extracção em condições idênticas à primeira.
Após separação numa centrífuga ROBATEL SLP munida de uma tela Nylon de 20 μιτι e enxaguadela do resíduo com 50 litros de acetona, obtêm-se 605 litros de um extracto hidroacetónico enriquecido em tetraol. Este extracto é concentrado por evaporação até um volume final de cerca de 10 litros.
Os 10 litros de fase aquosa concentrada obtidos anteriormente são submetidos a duas extracções com acetonitrilo em volumes iguais (ou a uma única extracção com 2 ou 3 volumes de acetonitrilo por 1 volume de fase aquosa). As fases orgânicas são reunidas e depois o solvente é evaporado à pressão atmosférica, de forma a reduzir o volume de solvente orgânico e secá-lo por arrastamento azeotrópico, até à obtenção de uma solução quase seca com um título de 1,5 a 2% de H20. Esta solução é então recuperada em 5 litros de acetonitrilo, filtrada e depois de novo concentrada para 3 litros. A fase orgânica concentrada é, em seguida, mantida a 4°C durante 24 horas para precipitar o tetraol. O precipitado cristalino (20,8 g), obtido após filtração e secagem a temperatura controlada sob vácuo forçado, apresenta-se sob a forma de um pó branco com um título superior a 90% de 10-desacetilbaccatina III. O rendimento da extracção em relação à quantidade de tetraol inicialmente presente nas folhas é de 70%. EXEMPLO 2: Purificação do tetraol por lavagem (não de acordo com a invenção tal como reivindicada). 10 g do produto obtido anteriormente são dissolvidos em 200 ml de acetato de etilo. A solução obtida é, em seguida, lavada duas vezes com 70 ml de uma solução de carbonato de sódio a 2% e depois com água até pH neutro. A fase orgânica é seca e depois evaporada à pressão atmosférica, obtendo-se 8,9 g de tetraol de pureza superior a 96%. 11 EXEMPLO 3: Extracção acetona/água, cristalização acetonitrilo (2a variante) 1 Kg de folhas secas de Taxus baccata (título em tetraol = 900 mg/Kg) são finamente triturados e depois extraídos com 10 litros de uma mistura de acetona/água (70/30) num reactor de vidro de 20 litros, durante 1 hora à temperatura ambiente, sob agitação. Após decantação, o resíduo isolado é submetido a uma segunda extracção em condições idênticas à primeira.
Após separação numa tela Nylon de 20 pm e enxaguadela do resíduo com 1 litro de acetona, obtêm-se 19,5 litros de um extracto hidroacetónico enriquecido em tetraol. Este extracto é concentrado por evaporação até um volume final de cerca de 0,3 litros.
Os 0,3 litros de fase aquosa concentrada obtidos anteriormente são submetidos a duas extracções com acetonitrilo em volumes iguais (ou a uma única extracção com 2 volumes de acetonitrilo por 1 volume de fase aquosa). As fases orgânicas são reunidas, depois adicionam-se 25 g de NaCI para separar 60 ml de água e, em seguida, concentram-se por arrastamento azeotrópico da água à pressão atmosférica, até à obtenção de uma solução quase seca com um título de cerca de 2% de H20. Esta solução é depois recuperada em 500 ml de acetonitrilo, filtrada, concentrada sob vácuo até um volume de 100 ml e, finalmente, deixada a 4°C durante 24 horas para precipitar o tetraol.
Obtêm-se 0,731 g de precipitado cristalino após filtração e secagem a temperatura controlada sob vácuo forçado, que se apresenta sob a forma de um pó branco com um título superior a 90% de 10-desacetilbaccatina III. O rendimento da extracção em relação à quantidade de tetraol inicialmente presente nas folhas é de 74%. EXEMPLO 4: Extracção acetona/água, cristalização acetonitrilo, separação com CH2CI2. 30 Kg de folhas secas de Taxus baccata (título em tetraol = 900 mg/Kg) são finamente triturados e depois extraídos com 300 litros de uma mistura de acetona/água (70/30) num reactor inox de 600 litros, durante 1 hora à temperatura ambiente, sob agitação.
Após decantação, o resíduo isolado é submetido a uma segunda extracção em condições idênticas à primeira. 12
Após separação numa centrífuga ROBATEL SLP munida de uma tela Nylon de 20 μηι e enxaguadela do resíduo com 50 litros de acetona, obtêm-se 605 litros de um extracto hidroacetónico enriquecido em tetraol.
Este extracto é, em seguida, concentrado até um volume de cerca de 10 litros.
Este concentrado aquoso é submetido a duas extracções com acetonitrilo em volumes iguais (ou a uma única extracção com 2 volumes de acetonitrilo por 1 volume de fase aquosa). As fases de acetonitrilo reagrupadas são concentradas para 10 litros. Após lavagem da fase de acetonitrilo com 10 litros de água, a água residual é separada por adição de 10 litros de diclorometano. O diclorometano é evaporado do acetonitrilo, depois a fase de acetonitrilo é concentrada para 3 litros e, em seguida, é conservada a 4°C durante 24 horas para precipitar o tetraol. O precipitado cristalino (20,5 g), obtido após filtração e secagem a temperatura controlada sob vácuo forçado, apresenta-se sob a forma de um pó branco. O rendimento da extracção em relação à quantidade de tetraol inicialmente presente nas folhas é de 68%. A pureza é superior a 90%. O sobrenadante do cristalizado é recuperado para a cristalização do tetraol que permaneceu em solução no acetonitrilo. O sobrenadante obtido anteriormente é reduzido para um volume de 600 ml e depois lavado com 600 ml de água. A água residual é separada por adição de 600 ml de diclorometano, que em seguida se evapora. A solução de acetonitrilo é depois conservada a 4°C durante 24 horas para precipitar o tetraol. Após filtração e secagem, recuperam-se de 3 a 4 g suplementares de tetraol sob a forma de um pó branco de pureza superior a 90%. O rendimento da extracção em relação à quantidade de tetraol inicialmente presente nas folhas é então da ordem dos 80%.
Lisboa, 21 DEZ. 2001
Por PIERRE FABRE MEDICAMENT
Agente Oficia! cia Propriedade industrial Arco da Conceição, 3,1? - 1100 LISBOA 13
Claims (9)
- REIVINDICAÇÕES 1. Processo de extracção e isolamento da 10-desacetilbaccatina III (tetraol) a partir de folhas de teixo, caracterizado por consistir na realização das seguintes etapas: - primeira etapa de extracção das folhas de teixo com um solvente polar prótico, que consiste numa mistura de acetona/água, para obter uma fase aquosa concentrada contendo o tetraol, - segunda etapa de extracção do tetraol da referida fase aquosa com acetonitrilo, - terceira etapa de separação da água residual da fase de acetonitrilo por adição de um solvente clorado, - última etapa de isolamento do tetraol por evaporação parcial da fase orgânica, cristalização selectiva e filtração.
- 2. Processo de acordo com a reivindicação 1, caracterizado pelas folhas de teixo serem secas e/ou trituradas.
- 3. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 ou 2, caracterizado pelas folhas de teixo serem extraídas por maceração no solvente polar prótico durante um período compreendido entre 15 minutos e 6 horas, de preferência 1 hora.
- 4. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 a 3, caracterizado pelas folhas de teixo serem extraídas a uma temperatura compreendida entre 10°C e a temperatura de ebulição do solvente polar prótico, de preferência à temperatura ambiente.
- 5. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 a 4, caracterizado pela mistura de acetona/água ser utilizada numa razão volúmica até 80/20, vantajosamente próxima de 70/30.
- 6. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 a 5, caracterizado pela fase aquosa ser concentrada numa razão volume inicial/volume final que pode ir até 70. 1
- 7. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 a 6, caracterizado pela cristalização selectiva do tetraol ser efectuada por repouso a frio da solução de tetraol no solvente de cristalização, de preferência a uma temperatura compreendida entre 0°C e a temperatura ambiente, vantajosamente inferior a 10°C, ainda mais vantajosamente compreendida entre 0°C e 5°C.
- 8. Processo de acordo com uma das reivindicações 1 a 7, caracterizado pela cristalização selectiva ser precedida de uma etapa de secagem da fase orgânica e/ou de separação da água residual.
- 9. Processo de acordo com a reivindicação 8, caracterizado pela fase orgânica ser lavada com água antes da secagem e/ou da separação. Lisboa, 21 DEZ. 2001 Por PIERRE FABRE MEDICAMENT2
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