Cracídeos
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Cracídeos | |||||||||||
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Classificação científica | |||||||||||
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Géneros | |||||||||||
Cracídeos[1] (Cracidae) é uma família da ordem Craciformes que inclui as aves conhecidas popularmente no Brasil como mutum (gêneros Crax, Mitu e Oreophasis), jacu (gêneros Penelope e Pipile) e aracuã (gênero Ortalis). O grupo habita, sobretudo, as zonas tropicais e subtropicais da América do Sul, América Central e América do Norte até ao México; a espécie Ortalis vetula, no entanto, chega a incluir, em sua área de distribuição, o estado americano do Texas. Mutum (do tupi mi'tu[2]) é a designação comum às aves galiformes da família dos cracídeos, florestais, dos gêneros Crax e Mitu, sendo várias espécies dessas aves ameaçadas de extinção. Tais animais possuem uma plumagem geralmente negra, com topete com penas encrespadas ou lisas e bico com cores vivas.
Assemelham-se morfologicamente aos seus parentes distantes, os faisões e perdizes europeias e asiáticas (pertencendo, tal como estes, à ordem dos Galliformes), diferindo deles, no entanto, pelo fato de preferirem habitat florestais aos campestres, nidificarem em árvores, e não no chão, e terem uma alimentação mais frugívora do que granívora. Segundo a classificação de Sibley & Monroe, os cracídeos estariam estreitamente aparentados aos megapodídeos da Oceania e Sul da Ásia, formando com eles uma ordem separada, a dos Craciformes; diferentemente dos seus parentes próximos, no entanto, não possuem a prática da incubação em montes de terra e material orgânico decomposto.
Todas são espécies cinegéticas e algumas em vias de extinção.
Classificação
[editar | editar código-fonte]A classificação da família Cracidae sofreu algumas mudanças, tanto devido à proposta de uma ordem própria, a Craciformes (Taxonomia de Sibley-Ahlquist), juntamente com a família Megapodiidae, como pelas propostas de subdivisão, ou seja, as subfamílias. Vaurie (1968) reconhecia três divisões principais dentro da família, baseado em critérios morfológicos: tribo Penelopini, tribo Cracini e tribo Oreophasini. Delacour e Amadon (1973) considerou que o gênero Oreophasis pertencia ao grupo Penelope-Ortalis, e reconheceu apenas dois grupos: a) os mutuns, e b) o restante das espécie. Del Hoyo (1994) reconheceu duas subfamílias: Cracinae com quatro gêneros e Penelopinae, com o restante dos gêneros. Recentes estudos filogenéticos (Pereira et al., 2002; Crowe et al., 2006; e Hoeflich et al., 2007) tem sugerido que a família Cracidae se divide em dois grandes grupos: (i) Oreophasis (extralimital), Pauxi, Mitu, Nothocrax e Crax, e (ii) Chamaepetes, Penelopina (extralimital), Penelope e Pipile/Aburria. A posição do Ortalis em um ou outro grupo é controversa. Os estudos moleculares mostram relações com os mutuns: entretanto, os estudos morfológicos e comportamentais mostram correlação com os Penelopinae. Os nomes populares das espécies que ocorrem no Brasil estão padronizadas com o Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO).[3]
Subfamília Penelopinae
- Gênero Chamaepetes Wagler, 1832
- Chamaepetes unicolor Salvin, 1867
- Chamaepetes goudotii (Lesson, 1828)
- Gênero Penelopina Reichenbach, 1861
- Penelopina nigra (Fraser, 1852)
- Gênero Penelope Merrem, 1786
- Penelope argyrotis (Bonaparte, 1856)
- Penelope barbata Chapman, 1921
- Penelope ortoni Salvin, 1874
- Penelope montagnii (Bonaparte, 1856)
- Penelope marail (Statius Müller, 1776) - Jacumirim
- Penelope superciliaris Temminck, 1815 - Jacupemba
- Penelope dabbenei Hellmayr e Conover, 1942
- Penelope purpurascens Wagler, 1830
- Penelope perspicax Bangs, 1911
- Penelope albipennis Taczanowski, 1878
- Penelope jacquacu Spix, 1825 - Jacu-de-spix
- Penelope obscura Temminck, 1815 - Jacuguaçu
- Penelope pileata Wagler, 1830 - Jacupiranga
- Penelope ochrogaster Pelzeln, 1870 - Jacu-de-barriga-castanha
- Penelope jacucaca Spix, 1825 - Jacucaca
- Gênero Pipile[4] Bonaparte, 1856
- Pipile pipile (Jacquin, 1784)
- Pipile cumanensis (Jacquin, 1784) - Jacutinga-de-garganta-azul
- Pipile cujubi (Pelzeln, 1858) - Cujubi
- Pipile jacutinga (Spix, 1825) - Jacutinga
- Gênero Aburria Reichenbach, 1853
- Aburria aburri (Lesson, 1828)
- Gênero Oreophasis[5] G. R. Gray, 1844
- Oreophasis derbianus G. R. Gray, 1844 - Mutum-cornudo
- Gênero Ortalis[6] Merrem, 1786
- Ortalis vetula (Wagler, 1830)
- Ortalis cinereiceps G. R. Gray, 1867
- Ortalis garrula (Humboldt, 1805)
- Ortalis ruficauda Jardine, 1847
- Ortalis erythroptera Sclater e Salvin, 1870
- Ortalis wagleri G. R. Gray, 1867
- Ortalis poliocephala (Wagler, 1830)
- Ortalis canicollis (Wagler, 1830) - Aracuã-do-pantanal
- Ortalis leucogastra (Gould, 1843)
- Ortalis guttata (Spix, 1825) - Aracuã-comum
- Ortalis motmot (Linnaeus, 1766) - Aracuã-pequeno
- Ortalis superciliaris G. R. Gray, 1867 - Aracuã-de-sobrancelhas
Subfamília Cracinae
- Gênero Nothocrax Burmeister, 1856
- Nothocrax urumutum (Spix, 1825) - Urumutum
- Gênero Crax Linnaeus, 1758
- Crax rubra Linnaeus, 1758 - Mutum-grande
- Crax alberti Fraser, 1852
- Crax daubentoni G. R. Gray, 1867
- Crax alector Linnaeus, 1766 - Mutum-poranga
- Crax globulosa Spix, 1825 - Mutum-de-fava
- Crax fasciolata Spix, 1825 - Mutum-de-penacho
- Crax blumenbachii Spix, 1825 - Mutum-de-bico-vermelho
- Gênero Mitu Lesson, 1831
- Mitu salvini Reinhardt, 1879
- Gênero Pauxi Temminck, 1813
- Pauxi pauxi (Linnaeus, 1766)
- Pauxi unicornis Bond e Meyer de Schauensee, 1939
- Pauxi tuberosa (Spix, 1825) - Mutum-cavalo
- Pauxi tomentosa (Spix, 1825) - Mutum-do-norte
- Pauxi mitu (Linnaeus, 1766) - Mutum-do-nordeste
Nomes vulgares de algumas espécies
[editar | editar código-fonte]- ↑ «Cracídeos». Infopédia. Consultado em 17 de abril de 2022
- ↑ FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 176
- ↑ Listas de Aves do Brasil do CBRO versão de 16/08/2007. Outros nomes populares podem ser encontrados nos verbetes específicos das espécies
- ↑ Grau et al., (2005) demonstraram que o gênero Pipile é sinônimo do Aburria por estudo molecular, osteológico e biogeográfico.
- ↑ Em algumas classificações reprenta uma subfamília própria, a Oreophasinae.
- ↑ Pode vir a constituir uma subfamília própria, ainda não nominada, visto que o nome Ortalinae, já está em uso.
Bibliografia
[editar | editar código-fonte]- CROWE, T.M., BOWIE, R.C.K., BLOOMER, P., MANDIWANA, T., HEDDERSON, T., RANDI, E., PEREIRA, S.L., & WAKELING, J. (2006). Phylogenetics and biogeography of, and character evolution in gamebirds (Aves: Galliformes): effects of character exclusion, partitioning and missing data. Cladistics 22: 495-532. [1]
- FRANK-HOEFLICH, K., SILVEIRA, L.F., ESTUDILLO-LOPEZ, J., GARCIA-KOCH. A.M., ONGAY-LARIOS, L. & PINERO, D. 2007. Increased taxon and character sampling reveals novel intergeneric relationships in the Cracidae (Aves: Galliformes). J. Zool. Syst. Evol. Res. [2]
- GRAU, E. T., S. L. PEREIRA, L. F. SILVEIRA, E. HÖFLING, AND A. WAJNTAL. 2005. Molecular phylogenetics and biogeography of Neotropical piping guans (Aves: Galliformes): Pipile Bonaparte, 1856 is synonym of Aburria Reichenbach, 1853. Molecular Phylogenetics & Evolution 35: 637-645. [3]
- PEREIRA, S.L., BAKER, A.J.& WAJNTAL, A. (2002). Combined nuclear and mitochondrial DNA sequences resolve generic relationships within the Cracidae (Galliformes, Aves). Systematic Biology 51(6): 946-958. [4]
- PEREIRA, S.L. & BAKER, A.J. (2004). Vicariant speciation of curassows (Aves, Cracidae): a hypothesis based on mitochondrial DNA phylogeny. The Auk 121: 682-694. [5][ligação inativa]
- Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos (CBRO) - Lista de Aves do Brasil - versão 16 de agosto de 2007
- Josep del Hoyo, Andrew Elliott, Jordi Sargatal, José Cabot (eds.) (1994). Handbook of the birds of the world (Volume 2, New World Vultures to Guineafowl) (em inglês). Barcelona: Lynx Edicions. ISBN 978-84-87334-15-3. Consultado em 7 de agosto de 2015